segunda-feira, 30 de novembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Deus e Saramago

Publicada por jP e com a devida vénia a exponho aqui:
Adoro chuva! Adoro... Ajuda-me a dormir, arrefece-me a temperatura corporal quando me cai em cima, acalma-me... Faz-me vir à memória episódios passados, futuros e presentes, põe-me em reflexão. Desconfio que a chuva tem uma substância qualquer desconhecida, com propriedades aditivas, que me faz entrar numa espécie de transe meditativo. É como se ela trouxesse do céu lágrimas de Deus, da Natureza.Não sei em que Deus acredito... sei que não é o da Bíblia nem o do Corão, nem nenhum outro registado algures. Não acredito que seja possível existir um só Deus, ou um Deus que se comporte de forma igual para toda a gente. Acho que o Deus que existir, é para nós como nós somos para ele, e para os outros. Por isso não acredito num Deus rigoroso. O meu Deus permite que brinquemos com ele, que lhe mandemos umas bocas. O meu Deus não se importa que Saramago diga que ele NÃO existe, desde que o não faça com maldade. O meu Deus não tem a mania da superioridade, exige respeito, não medo. Nada sei sobre o meu Deus, apenas que ele é muito parecido comigo. Também sei que está triste, com saudades, que também eu sinto.Deus chora, chora como uma criança que deixa os pais no primeiro dia de aulas. Chora quando vê a fome em África, e a falta de vergonha dos ocidentais, grupo em que naturalmente me incluo. chora quando vê a falta de respeito entre homens, e a sociedade que fede a medo e pudor. O meu Deus sofre por eu não ser o que gostaria que eu fosse, tal como eu sofro. E por isso chora, para aliviar a dor, para ter algum prazer com esse sofrimento. E por isso eu choro. E por isso eu gosto da chuva, das lágrimas de Deus.